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Diário da Região

16/04/2017 - 00h00min

A DIVERSIDADE É ROSA

Designer e professora fazem campanha para lançar livro infantil

A DIVERSIDADE É ROSA

Divulgação Flávia Pala e Omar Rosário uniram-se para dar vida ao livro infantil O Menino Que Vestia Cor-de-Rosa, cuja publicação é alvo de uma campanha de financiamento coletivo no site Benfeitoria.
Flávia Pala e Omar Rosário uniram-se para dar vida ao livro infantil O Menino Que Vestia Cor-de-Rosa, cuja publicação é alvo de uma campanha de financiamento coletivo no site Benfeitoria.

Para reforçar a importância de uma educação infantil que promova a diversidade sem criar rótulos e diferenças entre gêneros, o designer de moda e artista visual Omar Rosário e a professora e tradutora Flávia Pala, dois rio-pretenses que moram em Florianópolis (SC), deram vida ao livro O Menino Que Vestia Cor-de-Rosa. Depois de quase seis meses em busca de uma editora para a publicação da obra, que tem texto assinado por Flávia e ilustrações criadas por Rosário, a dupla conseguiu despertar o interesse da Chiado, editora portuguesa com atuação no Brasil.

No entanto, para ter o livro publicado, os dois precisariam bancar 250 exemplares, para cobrir as despesas de impressão. Foi aí que Rosário e Flávia decidiram criar uma campanha de financiamento coletivo, para a venda antecipada do volume de exemplares que vai garantir o custeio da publicação. Realizada na plataforma Benfeitoria, a campanha segue até o dia 4 de junho. Há mais de um ano morando na capital catarinense, Rosário teve a ideia de criar o livro infantil a partir do contato com seus sobrinhos.

“Um dia, minha sobrinha veio falar para mim que rosa não era cor de menino. Isso me chamou a atenção, pois os pais dela têm o cuidado para não reforçar a diferença entre gêneros. Ou seja, ela devia ter ouvido isso de algum amiguinho da escola.” A partir da experiência com a sobrinha, o rio-pretense teve a ideia de escrever um livro cuja história trata desse e outros estereótipos reforçados pela cultura machista que impera na sociedade.

“Acabei desenvolvendo um roteiro sobre a história, mas, como não sou escritor, convidei a Flávia (Pala), que é minha amiga desde os tempos de escola e que também mora em Floripa, para desenvolver o texto. O livro já está pronto, somente esperando para ser publicado”, explica. O livro apresenta a história de Gael, um garotinho que gosta de se vestir de cor-de-rosa e que, por isso, tem de enfrentar os amiguinhos que não respeitam o seu gosto. 

 

Tira-Olho, monstro da intolerância - 15042017 Uma das ilustrações criada por Rosário para a obra, que retrata o Tira-Olho, monstro da intolerância que arranca os olhos das crianças que zombam de seus amiguinhos

Por outro lado, Gael sabe que criança que zomba de criança vira alvo do terrível Tira-Olho, o monstro da intolerância. Para que Tira-Olho não deixe seus colegas cegos para sempre, o menino põe em prática um plano, que se revela numa grande lição sobre o respeito ao próximo. Profissional da moda, Rosário reconhece que os adolescentes estão transgredindo os limites entre o que foi historicamente atribuído para os universos masculino e feminino. “Hoje, vemos meninos usando saia, o que era algo inconcebível quando eu era adolescente.”

No entanto, o rio-pretense destaca que a cultura machista ainda é muito forte, e o preconceito faz muitas vítimas na sociedade. “Trata-se de uma questão fundamental para a educação, que é a base da formação do caráter das crianças. Por isso, considero O Menino Que Vestia Cor-de-Rosa uma obra necessária para os dias de hoje”, reforça. Graduação em letras e pós-graduada em tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina, Flávia também reconhece como oportuno o lançamento do livro, já que sentiu na prática o quanto essas diferenças entre gêneros mexem com as crianças. 

“Eu já atuei no ensino infantil, dando aulas para crianças na faixa dos 2 anos. Essa questão sempre estave presente nas aulas, pois tinha menino querendo brincar de boneca e menina querendo o carrinho do amiguinho. Tive que ir atrás para saber como lidar com isso com naturalidade. Desde então, é um tipo de assunto que sempre me interesso enquanto educadora”, comenta a rio-pretense, que mora em Florianópolis há quase 10 anos. Atualmente atuando na tradução de obras literárias voltadas a adultos, principalmente poesia, Flávia buscou nos seus livros de infância as referências para escrever a história do menino Gael. 

Segundo ela, a obra é voltada para crianças que estão descobrindo a leitura. E, apesar de desenvolver um texto em prosa, ela não abriu mão do tom poético, que vai de encontro com o lúdico que povoa o universo infantil. “Foi uma experiência muito gostosa, que dá vontade de escrever mais. Mas, como atuo com tradução voltada ao público adulto, sei que será difícil uma oportunidade. Mas voltei renovada para o meu trabalho de tradutora depois de escrever esse livro”, garante.

Serviço

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Omar Rosário - 15042017 Omar Rosário e suas criações no universo da moda

Designer faz estreia na pintura

Conhecido em Rio Preto pelas criações de sua marca de roupa, o designer de moda Omar Rosário estreia como artista plástico com o livro O Menino Que Vestia Cor-de-Rosa. Ele começou a desenvolver seu lado pintor há cerca de dois anos. Apesar de não ter realizado nenhuma exposição até agora, já conta com uma série de trabalhos.

Para a publicação do livro infantil, Rosário concebeu 25 pinturas em aquarela e acrílico, que retratam os personagens da história, entre eles Gael, o garotinho que adora se vestir de rosa, e Tira-Olho, o grande vilão da história. A experiência com a criação literária (e visual) foi tão positiva para Rosário que ele acabou de finalizar mais um livro, desta vez voltado ao público adulto. Intitulada Casamento Siamês, a obra reflete sobre o relacionamento a dois a partir da história de uma sociedade fictícia em que o casamento é uma espécie de cirurgia que conecta os corpos do casal.

Outras publicações

Dez livros infantojuvenis que discutem gênero, sexualidade e diversidade sexual

  • A História de Júlia e sua Sombra de Menino (Christian Bruel). De tanto ouvir dos pais que tinha um jeito de menino, a pequena Júlia percebe que sua sombra começa a ter formato de garoto.
  • Do Jeito Que a Gente É (Márcia Leite). As experiências de Chico, um adolescente que está tentando se assumir gay, e de Beá, uma menina que quer se aceitar, mas detesta sua aparência.
  • Meu Amigo Jim (Kitty Crowther). Quando Jack chega à vila do amigo, não sente um ambiente cordial. Isso porque os moradores nunca tinham visto um pássaro todo preto.
  • Meus Dois Pais (Walcyr Carrasco). Os pais de Naldo se separam, e ele fica com a mãe. No entanto, ela precisa se mudar de cidade, mas não quer que ele deixe a escola. Seus avós não querem que Naldo vá morar com o pai e seu novo amigo.
  • O Fado Padrinho, o Bruxo Afilhado e Outras Coisinhas Mais (Anna Claudia Ramos). O pequeno Luar deseja se transformar em um fado padrinho, afinal, quem decidiu que só meninas podem se tornar fadas madrinhas?
  • O Menino que Brincava de Ser (Georgina da Costa Martins). A história de Dudu, um menino que brincava de ser o que sua imaginação permitisse, mas tinha de enfrentar a reação dos adultos.
  • O Namorado do Papai Ronca (Plínio Camillo). Dante, um garoto de 12 anos, precisa ir morar com o pai quando sua mãe vai passar uns tempos na Itália. Por acaso, o pai dele tem um namorado.
  • Tal Pai, Tal Filho? (Georgina Martins). Um menino tem um pai severo, que lhe conta histórias de homens de sua terra, cabras-machos e valentes. Quando o menino decide que quer se tornar bailarino, terá de enfrentar o preconceito do pai.
  • Amor Entre Meninas (Shirley Souza). Adolescência é uma idade complicada, pois surge uma série de dúvidas sobre sexo. Será que sou homossexual porque achei aquela menina bonita? Essa pergunta é frequentemente feita por garotas que estão em dúvida sobre sua sexualidade.
  • Todos os Amores (Georgina Martins). Na Antiguidade, os gregos cultuavam deuses e tinham uma concepção diferente sobre o amor. O livro reúne mitologia grega e ficção, apresentando algumas formas de amar e buscar felicidade.

 

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