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Quinta-feira, 09.02.17 às 02:23 / Atualizado em 09.02.17 às 02:23

A nossa natureza

Vera Paráboli Milanese
Edvaldo Santos/Arquivo Vera Paráboli Milanese - 09022017
Vera Paráboli Milanese é psicóloga e escritora, mestre e doutora (em Literatura) pela Unesp, pós-doutorada pela USP

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Edvaldo Santos/Arquivo Vera Paráboli Milanese - 09022017
Vera Paráboli Milanese é psicóloga e escritora, mestre e doutora (em Literatura) pela Unesp, pós-doutorada pela USP

Sábado de sol. Não preciso, mas acordo cedo, muito cedo. Na verdade, madrugo... Todos dormem, afinal, hoje é sábado! Aliviada por ainda não ter de cumprir a "programação para final de semana", vou ao meu quintal dar uma olhada nas plantas, no céu azul, e também tomar um pouco de sol. Logo, começo a sentir os benefícios de estar ao ar livre, sem pressa, sem compromisso. Ouço um pássaro aqui e ali; um deles, agora, sobrevoa e inunda meus pensamentos. Tento me lembrar de quando foi a última vez que fiz isso e não consigo. Afinal de contas, ultimamente, a vida tem se transformado num ir e vir dentro de espaços fechados, acúmulo de compromissos e raríssimos momentos de pura fruição. Penso nos ambientes em que vivemos a maior parte de nosso tempo: escritórios, consultórios, shoppings, cinemas e teatros (com um pouco de sorte), salas, cozinhas e quartos. Onde estão as praças, parques, gramados? Lembro de uma viagem a um país longínquo em que me embrenhei por verdes e densos bosques, na companhia de uma querida amiga estrangeira. Ali, muito conversamos sobre o quanto o ser humano está afastado da natureza e o alto preço que paga por isso... Voltei de lá muito empenhada em me aproximar mais destas belezas. Mas quanto tempo isso durou? Menos do que eu gostaria... 

Se pudéssemos aprender mais com nossa irmã terra, com nossa irmã água e com nossos irmãos animais, talvez conseguíssemos ser um tanto mais realizados. Ou, pelo menos, mais simples e apaziguados. Este verde que agora vejo nos faz muita falta e nem percebemos. Este sol que me aquece passou a ser nosso inimigo, e tentamos substituí-lo por vitaminas que nunca conseguirão isso. Este vento nos coqueiros me fala da leveza que tantas vezes perdemos em nossas relações. Estes pássaros que me sobrevoam falam da liberdade que buscamos dentro de nossas prisões interiores. 

A natureza é um espelho para nós. Somos parte dela e ela nos reflete, mas nos esquecemos disso...

"Bem te vi, bem te vi", canta agora o pássaro alojado no verde de meu quintal e dentro do meu pensamento. Imagino que, com esse "canto-fala", ele esteja agradecendo ao que vê, agora. E nós, somos também gratos pelo que vemos ao longo de nossos dias? Conseguimos "bem ver" as bênçãos que recebemos todos os dias?Conseguimos "bem ver" todos aqueles que nos rodeiam e nos amam? Conseguimos "bem ver" aqueles que não nos amam? "Bem vemos" nosso trabalho, nosso lazer, nossa saúde? Enfim, conseguimos "bem ver" a vida que levamos? Talvez, nossa irmã natureza possa nos lembrar, a cada dia, tudo o que temos ao nosso redor e que pode ser objeto de gratidão. Mas para isso, precisamos entrar em contato com ela, seja no nosso quintal, na praça de nosso bairro, na represa, na lagoa, na montanha, na praia, no bosque, onde quer que ela se faça presente e alcançável. Por mais desculpas que busquemos, sempre haverá um pedaço de verde para nos ensinar alguma coisa, sempre haverá um pouco de sol para alegrar os nossos hormônios, sempre haverá o céu, a água, o vento, um cachorro que late, um pássaro que canta, um gato miando... Que tenhamos olhos para todas essas maravilhas; que possamos sair, pelo menos um pouco, de nossas vidas encarceradas nos ambientes artificiais que criamos, para poder cantar, como o pássaro que agora ouço, "bem te vi, bem te vi". E assim quem sabe, consigamos vivenciar um pouco do muito que Alberto Caeiro nos ensina: "Sejamos simples e calmos/ Como os regatos e as árvores/ E Deus amar-nos-á fazendo de nós/ Belos como as árvores e os regatos/ E dar-nos-á verdor na sua primavera/ E um rio aonde ir ter quando acabemos..."

 

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