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Domingo, 18.12.16 às 00:00 / Atualizado em 17.12.16 às 21:33

A China invade Rio Preto

Liza Mirella
Mara Sousa Diego Wei - 18122016
Diego Wei é cunhado de Ricky Wu, um dos proprietários da rede de lojas Cris Park; atualmente gerente dos estabelecimentos em Rio Preto, já planeja abrir seu próprio comércio

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Mara Sousa Diego Wei - 18122016
Diego Wei é cunhado de Ricky Wu, um dos proprietários da rede de lojas Cris Park; atualmente gerente dos estabelecimentos em Rio Preto, já planeja abrir seu próprio comércio

Figuras carimbadas à frente de lojas populares na galeria Pajé e na rua 25 de março, em São Paulo, os chineses começaram a dar as caras no comércio de Rio Preto nos últimos anos. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista, eles são responsáveis por 16 lojas somente na área central: cinco de bijuterias, nove de eletrônicos e duas de roupas. “É um número substancial. Há dez anos, havia um ou outro na cidade”, disse o economista Bruno Sbrogio.

Esse caso de amor não se limita ao varejo. Os chineses também turbinaram o segmento de alimentação na cidade e surgiram como solução para os rio-pretenses importarem peças automotivas, materiais elétricos e equipamentos de laboratório. Em 2004, o ex-presidente Lula assinou um memorando de entendimento reconhecendo a China como economia de mercado. Desde o começo desta década, quando o Brasil passou a ser a bola da vez para os chineses, a Polícia Federal registra a chegada, em média, de quatro chineses legalizados por mês em Rio Preto.

“Eles estão invadindo a nossa praia”, brinca Paulo Narcizo Rodrigues, despachante aduaneiro. “Rio Preto tem um mercado consumidor muito abrangente. Muitos clientes de cidades vizinhas fazem compras no nosso comércio. Na indústria, eles têm tudo o que precisamos.” A reportagem conversou com esses imigrantes em Rio Preto. Eles estão encantados com a qualidade de vida, o povo acolhedor e interessados no poder de compras. Nas lojas dos chineses, a maioria instalada em prédios de médio (a grande) porte e bem organizadas, há grande diversidade de produtos: espada, mochilas, bolas de gude, kit de maquiagem, anéis, brincos e colares, entre outros.

O universo de mercadorias, aliado aos preços acessíveis, aumenta a tendência de futuros desembarques, segundo especialistas. “Eles são agressivos. Se você mandar um e-mail para cotar preços, os chineses respondem em poucas horas”, afirma Rodrigues. O economista Bruno Sbrogio destaca a solidez dos negócios. “Culturalmente, os chineses estudam muito antes de fazer um negócio, ao contrário dos brasileiros”, analisa. “Eles têm um planejamento de negócio muito sólido e estruturado a longo prazo.”

O desembarque

Desde fevereiro de 2011 até novembro deste ano, a Polícia Federal registrou a entrada de 316 chineses em Rio Preto. Geralmente, quando desembarcam, trazem toda a família. Reconhecidos como um povo bem fechado em relação aos demais brasileiros, eles são unidos entre si, empregam os próprios parentes em cargos de confiança. Sandra Lee, dona de uma loja de bijuterias em Rio Preto, trocou Pequim por Rio Preto, a convite do irmão. Veio ela, o marido, o cunhado e a cunhada. Em 2013, inaugurou sua loja e, hoje, tem oito empregados.

“Vivemos um ano ruim, em 2016, por conta da crise. Mas nos primeiros anos fomos muito bem”, conta Sandra. Assim como Lee, Ricky Wu abriu caminho para os demais familiares empreenderem em nossas terras. Ricky chegou ao Brasil em 1999 e há sete anos vive em Rio Preto. Antes disso passou por outras cidades paulistas e mineiras. O comerciante é um dos proprietários da rede de lojas Cris Park, que vende uma infinidade de itens, desde bijuterias, passando por brinquedos, objetos de decoração e outros utensílios.

Ricky, como é conhecido, já veio para cá decidido a ser comerciante e não se arrepende, apesar de o setor aqui não ser tão forte como em Ribeirão Preto, por exemplo, onde viveu. Ele já se adaptou o suficiente para encarar as crises pelas quais passa a economia nacional. “Esse ano foi de queda nas vendas, entre 10% e 15%, mas a crise é global”, afirma. Para manter seus clientes fiéis, tem apostado em estratégias como promoções, ofertas, controle de despesas e até redução da margem de lucro.

Diego Wei é cunhado de Ricky e o responsável pela gerência das duas Cris Park que pertencem ao empresário. Ele conta que chegou a Rio Preto em 2010 e que não pensa mais em sair daqui. Vive com o pai e quatro irmãos na cidade. “Já fui passear em outras cidades, mas gosto mais daqui. O comércio é bom, apesar de que nesse ano foi fraco”, disse. O objetivo de Diego é abrir a própria loja, daqui a algum tempo, mas ainda está estudando o melhor momento e cidade. “Vou tentar”, disse.

Rio Preto importa

Os rio-pretenses importaram US$ 10,5 milhões de dólares da China de janeiro a novembro deste ano. Esse volume representa 16% de todas as importações. Nessa lista, a China ficou atrás apenas do Chile por uma particularidade. “A Mar e Rio Pescados, maior importadora da cidade, adquire sozinha 59% desse bolo, comprando salmão e pescados no Chile”, disse o despachante aduaneiro Paulo Narcizo Rodrigues. O empresário Marco Antonio de Almeida revende, em Rio Preto, peças automotivas.

Mesmo com a alta dólar, ele se vê refém dos chineses. “Alguns produtos, com a alta do dólar, não são viáveis. Porém, não há nenhum outro similar no mercado nacional”, conta Almeida. “Por outro lado, mesmo com o governo tarifando a importação há muitos produtos interessantes.” Desde quando conheceu o mercado chinês, Almeida diminuiu o ritmo de sua fabricação própria e resolveu comprar pronto no outro lado do mundo.

“Para fabricar algo no Brasil, é preciso desembolsar até R$ 1 milhão com tarifas, impostos, além da burocracia. O sindicato impede funcionários de trabalhar, e o processo é muito lento”, reclama. “Por exemplo, comprei um hidrovácuo (peça que vai no freio) de caminhão (Mercedes-Benz 709) por US$ 10 mil dólares, na China. Em quatro meses, a peça estava pronta. Aqui, gastaria muito mais e levaria anos para receber o produto.”

 

Jonny Xiao - 18122016 Jonny Xiao chegou a Rio Preto em 1994; hoje ele tem três restaurantes e já planeja a abertura de um quarto estabelecimento

Receptividade dos rio-pretenses agrada

Empresário dono de três restaurantes em Rio Preto, o chinês Jonny Xiao já é praticamente um brasileiro, inclusive naturalizado. Simpático, sensível e conversador, deixa para trás qualquer impressão de frieza que se possa atribuir aos orientais. Ele chegou a Rio Preto em 1994, aos 22 anos. Veio sozinho de Guang Dong, mas antes passou dois anos em São Vicente. “Comecei a ouvir falar muito bem de Rio Preto. Cheguei e gostei”, disse.

Se hoje os três restaurantes da rede Só Suco empregam cerca de 80 pessoas, o começo não foi nada fácil. Ele começou a vida por aqui com uma lanchonete, na área da rodoviária. Depois, abriu a primeira loja no Praça Shpping. Há um ano e meio expandiu para a avenida Nossa Senhora da Paz e há cerca de três meses abriu a terceira loja, na avenida Brigadeiro Faria Lima. Investiu R$ 600 mil e gerou 30 empregos.

“Sempre procuro investir em períodos de crise. É mais fácil contratar bons profissionais e se você paga bem e trata bem os funcionários, eles se mantêm com você”, afirma. Ele conta que, em 20 anos no comércio só demitiu uma funcionária, mas não foi fácil. A gerente da loja do Praça está com ele desde o começo, conta, orgulhoso. Jonny diz que já se acostumou à economia brasileira, marcada por altos e baixos constantes. Para ele, a próxima fase de crescimento e melhora está por vir.

Tanto que já está planejando a abertura da quarta unidade do restaurante na cidade, mas prefere ainda não divulgar o local por estar em negociação. Serão mais 25 empregos no setor. Para Jonny, o trabalho – intenso – é diversão. Se ficar em casa, acaba chateado. Mas hoje se dá ao luxo de acompanhar a rotina dos filhos, já adultos. O empresário vai à China entre uma e duas vezes por ano. Vai encontrar o pai e dar andamento aos negócios que também tem por lá. 

A família mantém algumas tradições, como celebrar com festa a chegada do ano novo chinês e praticar o budismo, com orações em casa mesmo. “Deus é igual. O importante é procurar ajudar os outros e não fazer mal, ter amor no coração”, afirma. Jonny diz que não quer mais voltar ao país de origem, se sente grato ao Brasil e ao povo brasileiro e diz que preconceito só sentia quando tinha a lanchonete e os bêbados ficavam perturbando, mas que eram apenas brincadeiras bobas. “Nunca imaginei ser tão bem tratado como sou aqui”.

“O clima aqui é muito bom, as pessoas são receptivas. Na China a vida é muito corrida. Por exemplo, nem todos têm paciência para ensinar o caminho para o hotel. Aqui todos ajudam”, conta Ricky Wu, que veio para o Brasil aos 18 anos. Quando vai para a China a trabalho para fazer compras, chega a sentir saudades daqui quando fica muito tempo fora.

Para Sandra Lee, havia a possibilidade de morar em São Paulo. Quando conheceu Rio Preto, mudou os planos e abriu seu negócio em 2013. Apesar de reclamar da crise política e econômica, nos dois últimos anos, Sandra não pensa em deixar o Brasil. “Rio Preto tem boa demanda, muitas opções para trabalhar e se divertir. É uma cidade mais tranquila que São Paulo.”(CP e LM)

Os rio-pretenses importaram US$ 10,5 milhões de dólares da China de janeiro a novembro deste ano. Esse volume representa 16% de todas as importações. Nessa lista, a China ficou atrás apenas do Chile por uma particularidade. “A Mar e Rio Pescados, maior importadora da cidade, adquire sozinha 59% desse bolo, comprando salmão e pescados no Chile”, disse o despachante aduaneiro Paulo Narcizo Rodrigues.

O empresário Marco Antonio de Almeida revende, em Rio Preto, peças automotivas. Mesmo com a alta dólar, ele se vê refém dos chineses. “Alguns produtos, com a alta do dólar, não são viáveis. Porém, não há nenhum outro similar no mercado nacional”, conta Almeida. “Por outro lado, mesmo com o governo tarifando a importação há muitos produtos interessantes.”

Desde quando conheceu o mercado chinês, Almeida diminuiu o ritmo de sua fabricação própria e resolveu comprar pronto no outro lado do mundo. “Para fabricar algo no Brasil, é preciso desembolsar até R$ 1 milhão com tarifas, impostos, além da burocracia. O sindicato impede funcionários de trabalhar, e o processo é muito lento”, reclama. “Por exemplo, comprei um hidrovácuo (peça que vai no freio) de caminhão (Mercedes-Benz 709) por US$ 10 mil dólares, na China. Em quatro meses, a peça estava pronta. Aqui, gastaria muito mais e levaria anos para receber o produto.” 

 

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