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Domingo, 23.08.15 às 00:00 / Atualizado em 23.08.15 às 00:00

Turbante é símbolo de resistência da mulher negra

Graziela Delalibera
Divulgação Carol Damiá
“O turbante simboliza a resistência cultural dos descendentes dos africanos escravizados no Brasil”, diz Carol. Na oficina em Rio Preto, ela ensinará diversas formas de usar o tecido amarrado à cabeça

Um ornamento cheio de significados, símbolo da resistência e do empoderamento da mulher negra, o turbante é tema de uma oficina que acontece neste domingo, 23, em Rio Preto, no Quintal Cultural CTB, coordenada pela empresária Carol Damiá, de Olímpia. Mais do que ensinar diversas formas de usar o tecido amarrado à cabeça, a atividade será uma oportunidade para conversar sobre a estética negra, o cabelo afro, sua simbologia, e um pouco da sua história e suas curiosidades.

"O turbante surge para o movimento negro como um resgate da estética e da cultura dos nossos ancestrais. Ele, politicamente, simboliza a resistência cultural dos descendentes dos africanos escravizados no Brasil. Para além disso, os turbantes e torços também têm forte papel nas religiões de matriz africana, como forma de proteger o ori", fala Carol. Ela lembra que as negras escravizadas amarravam os lenços na cabeça de acordo com o grupo étnico ao qual pertenciam - "Nagôs, Jejes, cada uma amarrava de um jeito e era uma forma de identificação entre as escravizadas."

Carol integra o movimento negro, e há quatro anos participa de oficinas, rodas de conversa, de coletivos, compartilhando seu conhecimento. "Na verdade, me encantei pelos turbantes durante a minha transição capilar e, a partir daí, eu passei a ter contato com turbanteiras brasileiras que me ensinavam amarrações e histórias sobre os torços", conta a empresária.
Ela afirma que a oficina, além de informar, tem como objetivo empoderar e mostrar a beleza não só da cultura negra, como também do povo negro. 

"As pessoas costumam se reconhecer nas oficinas, principalmente as mulheres. Algumas nunca tinham usado turbantes, mas, nas oficinas, elas aceitam ser turbantadas, e é muito gratificante vê-las se sentindo belas. Até a postura muda. E isso faz valer a pena." Carol também alerta sobre situações em que o turbante tem seu valor histórico ignorado e passa a ser mais um produto. "Em campanhas publicitárias, utilizam turbantes em modelos brancas, é como se dissessem: aceitamos a cultura negra, mas não o corpo negro. 

Fora as pessoas que utilizam os turbantes porque estão na moda, mas não sabem que existe uma história e que ele é símbolo de resistência de um povo. Mulheres negras são hostilizadas ao usarem turbantes, enquanto mulheres brancas são elegantes, descoladas, fashionistas", diz. A oficina é uma iniciativa do DCE Zumbi dos Palmares, da Unorp, e da Unegro, organização não governamental que tem como objetivo a promoção da igualdade racial e ações afirmativas que visam à inclusão social. A programação começa às 15 horas, e contará com discotecagem de música negra e apresentação da peça "Causa e Efeito", com crianças do Centro de Formação Ielar. O CTB fica na rua São Paulo, 1787, Vila Maceno. A entrada é gratuita. 

 

 

 

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