Teatro

  • Sábado, 18 de Novembro
  • Onde quer que vá, vá com o coração!
Teatro

Matéria

Sábado, 15.07.17 às 00:00 / Atualizado em 14.07.17 às 18:02

Festival vai em busca de parceiros em 2018

Francine Moreno
Johnny Torres Cia. Cênica - 15072017
Cenas dos espetáculos Terra Abaixo, Rio Acima, da Cia. Cênica, de Rio Preto

Poucos dias antes de iniciar o Festival Internacional de Teatro de Rio Preto, Sebastião Martins, gerente do Sesc Rio Preto e um dos coordenadores gerais do FIT, disse que o evento 2017 marcaria uma retomada do evento no sentido de tentar resgatar alguns parceiros/investidores do passado e novos.

Com o encerramento do festival, neste sábado, 15, Martins afirma que a semente foi lançada. Para ele, a avaliação do evento foi positiva. “Criamos um festival para todos e com uma linguagem teatral que contribuísse para a cidade e seu desenvolvimento. No final, conseguimos fazer um evento com uma produção exemplar e o acabamento planejado, e isso se refletiu no astral das pessoas. A seriedade vista pelo público desde a abertura do FIT gerou segurança tanto no meio cultural quanto fora.”

Com o encerramento do festival, Martins já se prepara para a próxima edição. “A gente precisa refletir e fazer uma avaliação criteriosa sobre a edição 2017 para acrescentar aspectos e introduzir algumas mudanças. Tem algumas coisas que são padrões, no entanto, outras precisam ser aprimoradas. Todo evento que é regular precisa ser repensado a cada edição, se não atrofia e acaba minguando”, afirma. Martins revela ainda que até quarta-feira, 12, cerca de 18 mil pessoas passaram pelo festival, sendo três mil na abertura, no dia 6.

Neste FIT 2017, foram gerados 65 empregos diretos e 400 indiretos, e houve uma movimentação econômica na cidade de R$ 1,8 milhão em vários setores, que inclui prestadores de serviços. Ao todo, a programação contou com quatro espetáculos internacionais, 16 nacionais e três rio-pretenses, além de 14 ações formativas. Desta vez, 14 espaços fechados e urbanos foram ocupados com 50 sessões de 23 espetáculos, sendo 14 pagos e nove gratuitos. A ocupação do graneleiro com atividades noturnas, em especial, foi elogiada. Ao todo, 117 atores participaram da edição.

O secretário de Cultura Pedro Ganga, outro coordenador geral do FIT, também avalia como positiva a edição 2017. Segundo ele, as artes cênicas ocuparam toda a cidade e o festival se mostrou plural e ousado. “Trouxe um recorte transgressor e imaginativo, oferecendo uma programação variada. Os espetáculos trataram dos dilemas contemporâneos, como as questões de gênero, violência, injustiça, liberdade, e provocaram a reflexão do papel do sujeito na atualidade.”

Ganga afirmou ainda que o evento apresentou uma variedade de propostas de encenadores que não temem ousar. “Ofereceu espaços de encontro, convivência, e afirmou a urgência do comprometimento político e da afetividade.” Para ele, a retomada da parceria entre a prefeitura e o Sesc garantiu o sucesso. “Conseguimos provar que é possível fazer um festival em dois meses e meio, depois de começar do zero. Vimos atores, como Luiz Carlos Vasconcelos, que veio em 1980 e agora voltou, assim como artistas novatos”, afirma Ganga. Para o secretário, os profissionais do teatro estavam carentes do festival. 

 

Teatro Imaginário Maracanbalha - 15072017 Tekoha - Ritual de Vida e Morte do Deus Pequeno, do Teatro Imaginário Maracanbalha, de Campo Grande (MS): atrações que passaram pela edição deste ano do Festival Internacional de Teatro

“Foram 782 inscrições contra 502 de 2008, que tinha sido o maior número registrado.” Agora, Ganga conta que a prefeitura e o Sesc irão se reunir para avaliar a edição e falar sobre a próxima. “Danilo Santos de Miranda (diretor do Sesc São Paulo) se mostrou motivado a fazer a edição 2018. Nosso objetivo agora é conseguir antigos e novos parceiros”, diz. Ganga revelou que a edição deste ano contou com a presença de uma representante da Petrobras. A estatal, que já chegou a injetar R$ 900 mil numa única edição do FIT, é um dos parceiros que a coordenação do FIT tenta resgatar.

‘Conseguimos curar algumas feridas’

O ator e diretor Jorge Vermelho, um dos curadores do FIT, lembra que um festival é um registro de seu tempo e o fetival deste ano voltou com a potência de discutir o homem, por meio do teatro, com a função de fazer um registro deste tempo. “Foi incrível ver como a ansiedade e a expectativa pela chegada deste FIT mobilizou pessoas de uma forma como há muito eu não via. A programação está potente e os teatros lotados. Isto é um ato político.”

Vermelho conta que um processo de curadoria não é papel fácil, pois não é somente a obra que se deve analisar, mas como ela poderá dialogar com a cidade, com os espaços. “O festival é um território de risco, investigações, e muitos coletivos mostraram seus caminhos de inquietude neste festival. E o mais incrível é ver como um dos maiores criadores brasileiros, Antunes Filho, se mantém inquieto à frente do seu tempo, nos brindando com o requinte da montagem de Blanche, um dos destaques nacionais desta edição.”

Para Vermelho, um festival deve se reinventar a cada ano. “Repetir fórmulas é morrer na partida. Acredito que conseguimos curar algumas feridas e agora o festival ganha fôlego para novas caminhadas. A parceria da Prefeitura com o Sesc São Paulo foi fundamental para esta retomada e cada vez mais devemos buscar patrocínios e parcerias”, afirma. Graziela Nunes, do Sesc, coordenadora executiva do FIT, conta que a maior proeza do festival é estar em contato com sua gênese, com tudo o que motivou seu início: a valentia das pessoas em fazê-lo e mantê-lo, a forma com que conecta-se ao seu tempo e o efeito de pertencimento que causa nas pessoas da cidade. 

“As obras que deram o tom desta edição caminharam por esse terreno, causaram a cisão que espera-se que o FIT cause. Acredito que as pessoas não passaram incólumes pelas obras, elas abriram vias para adiscussão. As escolhas apostaram na abertura deste debate para além de gostar ou não gostar”, diz. “O maior legado das obras é permanecer nas memórias muito tempo depois de julho.”

 

Comentários

Recomendadas

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 15,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Facilite seu acesso agregando uma
conta de rede social ao seu perfil
Sexo
Confirme seu cadastro

Para acessar nossos conteúdos especiais é necessario que você ative seu cadastro.

Acesse seu e-mail e clique no link que lhe enviamos. Caso não tenha recebebido, digite abaixo seu e-mail.