Literatura

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Matéria

Domingo, 18.06.17 às 00:00 / Atualizado em 16.06.17 às 19:27

'Pai' da Mônica conta histórias que não estão no gibi

Tatiana Pires
Divulgação Mauricio de Sousa - 17062017
Mauricio de Sousa: uma das novidades na esteira do lançamento de sua biografia é a informação de que a Turma da Mônica chegará aos cinemas no ano que vem com atores de carne e osso

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Divulgação Mauricio de Sousa - 17062017
Mauricio de Sousa: uma das novidades na esteira do lançamento de sua biografia é a informação de que a Turma da Mônica chegará aos cinemas no ano que vem com atores de carne e osso

A Turma da Mônica ganhará um longa-metragem com elenco formado por crianças de carne e osso. Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e toda a turma viverão suas aventuras agora em live action. Sucesso em todas as mídias, desde os tradicionais gibis, publicados em 29 países, desenho animado, tirinha de jornal, passando por parques, jogos, espetáculos de teatro até aplicativos de celular, os personagens mais famosos da ficção infantil brasileira voltarão ao cinema no filme Laços, com estreia prevista para 2018.

Já neste mês, o pai de todo este universo, o cartunista Mauricio de Sousa, lançou a autobiografia Mauricio - A História que Não Está no Gibi (Sextante, 336 páginas, R$ 49,90), que nasceu do desejo do autor de ter a versão oficial de sua trajetória impressa em livro. Na obra, ele relembra diversos momentos de sua vida. Feito a partir de depoimentos ao jornalista Luís Colombini, o livro mostra que o cartunista leva consigo vários trejeitos de seus personagens: um lado otimista, um jeito perseverante de levar a vida e até uma pequena dose de teimosia.

Na entrevista concedida ao Diário, Mauricio de Sousa, 81 anos, fala do sucesso mundial de sua criação, da inspiração dos personagens a partir das filhas Mônica, Magali, Mariângela, e da longevidade da Turma. Para se ter ideia da dimensão, a Mauricio de Sousa Produções - empresa criada pelo cartunista em 1959 - vendeu mais de 1 bilhão de gibis, criou quase 400 personagens e tem mais de 3 mil produtos licenciados.

Diário da Região - É notório que os filhos do senhor foram inspiração para a criação de muitos personagens. Mas nunca temeu expô-los, ou temeu a reação deles, ao se verem retratados nos quadrinhos?

Mauricio de Sousa - No início de tudo, quando criei personagens observando minhas primeiras filhas, Mônica, Magali e Mariângela, com seus 3 anos em média, não falei nada para elas. Assim eu as preservei de serem questionadas muito pequenas e sem entenderem o que significaria um eventual assédio. Só quando começaram a frequentar a escola tive que falar, pois os coleguinhas já comentavam que elas tinham sido inspiração para meus quadrinhos. Preparadas, todas aceitaram bem a situação daí por diante.

Diário - O título de sua biografia tem o complemento ‘A história que não está no gibi’. Qual história que não está no gibi é trazida à tona no livro?

Mauricio - Resolvi fazer a minha biografia antes que alguém a fizesse e colocasse outras versões que poderiam ter informações erradas. Assim, tenho a minha versão oficial, vivida, dos acontecimentos. Então conto algumas passagens de bastidores de negociações com os grandes grupos da mídia, minha infância, que moldou o que sou hoje, e muitos casos de obstáculos que todos enfrentamos quando queremos transformar um sonho em realidade.

Diário - Antes do YouTube, seus quadrinhos circulavam em quase 30 países. Em Mônica Toy (série de animações da Turma da Mônica para a internet), quais adaptações precisaram ser feitas para atender às diferentes culturas?

Mauricio - Nenhuma. como não tem falas, mas sons e efeitos, todos no mundo entendem. Já são mais de um bilhão de visualizações por todo o planeta nessas 4 temporadas. Rússia, Japão, México, EUA, China, Inglaterra, entre outros países, estão com números espetaculares de audiência.

 

Capa do livro Mauricio - 17062017 Capa do livro Mauricio - A História Que Não Está no Gibi, lançado este mês pela editora Sextante

Diário - O que explica a longevidade da Turma da Mônica?

Mauricio - Creio que a identificação das crianças com personagens que tem falhas, como todos nós, mas que conseguem conviver como amigos, apesar das diferenças. Assim passamos por cerca de quatro a cinco gerações, onde os pais passam para os filhos esse gosto pelos personagens. Nas filas de autógrafos sempre há vários pais que chegam com seus filhos de 5 anos e dizem que aprenderam a ler com nossas revistas da turminha e que agora são seus filhos que fazem esse caminho.

Diário - Em junho, o senhor completa 58 anos de carreira. Qual o momento mais marcante em toda esta trajetória?

Mauricio - Foram muitos. E pela minha biografia podem ver quantos deles. Mas a publicação de minha primeira tirinha do Bidu e do Franjinha na Folha da Manhã (atual Folha de SP), em 1959, foi o marco mais forte.

Diário - E qual considera o mais frustrante?

Mauricio - Não há frustração quando a gente percebe que o que não deu certo na verdade faz parte da mecânica do que depois deu certo.

Diário - Qual a maior loucura que os fãs da Turma já fizeram pelo senhor ou pelos personagens?

Mauricio - Lembro que, nos anos 80, havia uma parte dos educadores que diziam que o Chico Bento falava errado o português e que isso era ruim para as crianças em sua fase de aprendizagem. Já havia movimentos em Brasília sugerindo a proibição da revista do personagem. Nem precisei responder porque um grande grupo de crianças saiu às ruas justamente em Brasília para defender a forma do Chico Bento falar, valorizando a linguagem coloquial das regiões mais simples, e que as crianças sabiam disso.

Diário - Por que colocar, pela primeira vez, crianças de verdade nos papéis da Turma da Mônica no filme Laços?

Mauricio - Porque nunca fizemos dessa forma antes. Mas aceitamos os desafios quando há boas condições para que os resultados da produção sejam os melhores possíveis. E isso acontece agora que boas produtoras estão desenvolvendo com capricho o filme Laços, que será baseado na nossa graphic novel de maior sucesso, escrita e desenhada pelos irmãos Lu e Vitor Cafaggi, com nossos personagens. E também haverá um “live action” com a Turma da Mônica Jovem mais pra frente.

Diário - O que pesará na escolha dos atores? O que será levado em conta?

Mauricio - Confio no profissionalismo das produtoras Quintal Digital e Latina Estúdios, que escolheram uma equipe de primeira para coordenarem as inscrições e a seleção dos finalistas. Na fase seguinte, participamos para fechar as escolhas. Naturalmente, no meio do processo, vamos levar em conta a aparência dos candidatos, desembaraço, talento, carisma... Essas coisas.

Diário - O filme está previsto para estrear em 2018. O que os fãs podem esperar do longa?

Mauricio - Pela história dos irmãos Cafaggi, que já emociona muito pelos quadrinhos, pelo diretor de categoria internacional que é o Daniel Rezende (foi editor de Tropa de Elite 1 e 2, Diários de Motocicleta, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias, Robocop e Cidade de Deus, pelo qual foi indicado ao Oscar de melhor edição), podemos esperar um filme que fará a alegria de nossos fãs de todas as idades.

 

Heloísa e João Pedro - 17062017 Assim como milhares de outras crianças, Heloísa e João Pedro herdaram dos pais o interesse pelos gibis da Turma da Mônica

Legado da Turma acompanha a tecnologia

Sucesso não só no mercado nacional, mas também no internacional, a Turma da Mônica já tem quase 60 anos. Presença marcante na infância, na adolescência e, por vezes, até na fase adulta de diferentes leitores, as aventuras de Mônica, Cebolinha e companhia estimularam a imaginação e o gosto pela leitura de milhares de pessoas. Os personagens atravessaram gerações e continuam sendo os mais queridos dos pequenos. E, acompanhando o crescimento do mercado e a evolução tecnológica, Maurício de Sousa levou as historinhas à internet, em animações 2D de 30 segundos dentro do projeto Mônica Toy, que já soma mais de 1 bilhão de visualizações em quatro temporadas.

Os estudantes João Pedro Paladino Figueiro, 6 anos, e Heloísa Helena Medina Gomes, 10 anos, por exemplo, acompanham pelo YouTube as brincadeiras que deixam a Mônica superbrava, a comilança da Magali e os planos do Cebolinha e do Cascão para pegar o coelhinho Sansão. O que não impede a dupla de manter a paixão também pelos gibis. Eles colecionam revistinhas e afirmam até que ainda preferem ler a assistir as aventuras. “Prefiro ler porque consigo imaginar melhor o que eles estão fazendo”, diz Heloísa.

João Pedro explica: “Eu entendo mais quando leio do que vendo a história.” Ele ganhou uma coleção de gibis da Turma da Mônica de uma prima, há um ano, e tomou gosto pelos quadrinhos. “Ela não gosta mais de gibi, prefere livros, e me deu todos. Tem muitos que ainda não li. Na escola também têm gibis, e eu gosto muito.” O personagem preferido dos dois é o mesmo: Cebolinha. O motivo é “o jeito engraçado dele falar”, diz João Pedro. Já Heloísa gosta das trapalhadas que ele apronta com a Mônica. “Ele é engraçado, dou muita risada com as coisa que ele apronta com ela (Mônica).”

João Pedro demonstrou interesse pela Turma da Mônica antes mesmo de ser alfabetizado. “Ele via as imagens e eu mostrava quem eram os personagens, lia para ele”, conta a mãe do menino, Valdirene Aparecida Paladino, 44 anos. A admiração pelos gibis passou de mãe para filha no caso de Heloísa. A mãe dela, Karina Araújo Medina, 33 anos, ainda tem dois exemplares da época em que era criança. Um deles é justamente do Cebolinha, personagem que a filha mais gosta. “Os gibis passaram para ela, mas agora está meio que se desfazendo porque meu filho mais novo pega também”, diz Karina, orgulhosa ao falar que Heloísa prefere ganhar livros e gibis em vez de brinquedos.

“Eu e meu ex-marido costumamos dar um livro por mês e revezamos com os gibis que são mais em conta.” O que poderia explicar o sucesso da Turma da Mônica em 60 anos de existência é sua relevância tanto em relação ao entretenimento quanto na abordagem de diversos temas sociais. “Tanto pela arte que mistura texto e desenho quanto pelas mensagens mais diversas que passam e promovem o uso da imaginação e a identificação do leitor. Além disso, desde sua origem, os quadrinhos se tornaram meios de discutir assuntos diversos e abordar os mais variados temas que fazem parte do universo infantil e adulto”, afirma a pedagoga e psicopedagoga Larissa Fonseca.

O legado da Turma da Mônica contribui para despertar o interesse pela leitura porque as revistas em quadrinhos ajudam a explorar os recursos didático-pedagógicos em sala de aula. “A história em quadrinhos, ao falar diretamente ao imaginário da criança, preenche suas expectativas e a prepara para a leitura de outras obras. A experiência de folhear as páginas de uma revista de quadrinhos pode gerar e perpetuar o gosto pelo livro impresso, independentemente de seu conteúdo”, explica a especialista, completando que as mensagens contidas nas histórias auxiliam no aprendizado. 

“As crianças estão lendo cada vez menos, devido a interesses por outras formas de lazer, como televisão, videogame e internet. As histórias em quadrinhos possuem uma grande participação na formação intelectual da criança, pois, além de entreterem, elas também estimulam e incentivam o leitor, uma vez que, juntamente com os livros, são instrumentos saudáveis para estimular a imaginação e o raciocínio de jovens e de crianças”, diz Larissa.

análise

Tudo começou lá no bairro do Limoeiro

Orlandeli

Assim como muita gente, comecei a ler quadrinhos com os personagens do Mauricio de Sousa. Passei a infância totalmente imerso nesse universo, não tinha lugar melhor para estar do que dentro de uma banca de jornal. 

Na época, as revistas vinham com um passo a passo de como desenhar cada personagem. Recortava e guardava tudo em uma pasta, para depois passar horas tentando reproduzir eu mesmo os personagens que acompanhava todos os meses nos gibis. 

Além de me introduzir no mundo da leitura, agora as publicações do Mauricio passavam também a me introduzir no mundo das técnicas de desenho.

Não demorou muito para essa paixão pela nona arte me levar a querer não apenas ler, mas também fazer minhas próprias histórias. 

Publicar quadrinhos era algo que passei a perseguir. Cheguei, na adolescência, a participar de uma seletiva de roteiristas para a Mauricio de Sousa Produções, que para mim era a forma de encarar aquilo como profissão. Não rolou. Até porque na época meu quadrinho já estava com um pé mais no underground, então não tinha muito a ver mesmo.

Segui produzindo e acumulando um acervo de mais de duas décadas de material autoral. Grump, “(SIC)”, O Mundo de Yang, Daruma, Eu Matei o Libório... Uma vida voltada aos quadrinhos e, parando agora para pensar, tudo começou lá no Bairro do Limoeiro, acompanhando as aventuras da turminha com uma menina super orte, um garoto que fala “elado”, uma menina comilona e um menino que não gosta de tomar banho. Isso sem falar do menino da roça, do cara que viaja no espaço... 

Graças àquela leitura intensa na infância eu criei um vínculo tão forte com os quadrinhos que me impulsionou a querer explorar cada vez mais esse universo. Outros autores, outras histórias... Descobertas e vivências que acabaram refletindo em meu trabalho autoral. Trabalho esse que possibilitou receber o convite para participar de três projetos, MSP50 - Maurício de Sousa por Cinquenta Autores, Mônica’s e, a mais recente, a GraphicMSP Chico Bento - Arvorada.

Considero cada um desses convites um presente e uma forma de retribuir um pouco da satisfação e importância que as revistas da Turma da Mônica tiveram na minha infância e na paixão que tenho pelos quadrinhos.

Valeu, Mauricio.

Orlandeli é cartunista do Diário e autor do livro Chico Bento - Arvorada

 

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