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Domingo, 18.06.17 às 00:00 / Atualizado em 17.06.17 às 19:37

O fungo que ameaça acabar com os sapos

Millena Grigoleti
Mara Sousa Alba Navarro - 18062017
Pesquisadora Alba Navarro, da Unesp, com girinos

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Mara Sousa Alba Navarro - 18062017
Pesquisadora Alba Navarro, da Unesp, com girinos

Um fungo está ameaçando a sobrevivência de sapos, rãs, pererecas e todos os outros anfíbios brasileiros. O Batrachochytrium dendrobatidis (Bd) se alimenta das células queratinizadas do animal e causa uma infecção, conhecida mundialmente como quitridiomicose. As células são as epiteliais, da pele, que guardam a queratina, uma proteína. Detectado pela primeira vez no Brasil em 2004, o fungo ainda é um desconhecido até mesmo para biólogos e herpetologistas (estudiosos que se dedicam a anfíbios e répteis). Isso motivou a pesquisadora espanhola Alba Navarro, que é doutoranda do Programa e Pós-Graduação em Biologia Animal do Ibilce, campus da Unesp em Rio Preto.

Ela criou o projeto Quitri Brasil (www.quitribrasil.com), que fornece recurso para gestores, voluntários ambientais, pesquisadores e cidadãos, com a intenção de facilitar a divulgação de conhecimento sobre o fungo. “Um dia pensei: se para pesquisadores da própria área o fungo não é conhecido, imagina para o resto da sociedade. Além disso, sinto que a divulgação científica é essencial para que os projetos sobre conservação atinjam seus objetivos”, conta. O site é atualizado com base em informações científicas sobre o fungo. Dentre outros dados, ele mostra os locais em que o Bd foi encontrado e a temperatura média de cada lugar.

Segundo Alba, a quitridiomicose tem se tornado uma das ameaças de maior impacto nas populações de anfíbios. “Ela está envolvida no declínio de muitas populações e na extinção de espécies em várias regiões do planeta”, afirma. O fungo não tem preferência por um grupo de anfíbios específico. Já foram encontradas mais de 700 diferentes espécies de salamandras, sapos, pererecas, rãs e cecílias infectadas pelo fungo em várias regiões do planeta. Somente no Brasil, são pelo menos 160 espécies de anfíbios contaminados. “É esperável que esse número aumente com futuros estudos”, alerta Alba.

Embora a região de Rio Preto não tenha sido impactada, pois é muito quente para que o fungo consiga viver, o Bd foi encontrado em 21 estados brasileiros, incluindo São Paulo, e em todos os biomas: Mata Atlântica, Amazônia, Pampa, Pantanal, Caatinga e Cerrado. Segundo a pesquisadora, é difícil prever se o fungo vai impactar no futuro os bichos da região. “São vários os fatores (abióticos e bióticos) que afetam na presença do fungo, por isso não é fácil saber o que poderia acontecer a longo prazo.”

 

Arte - Sapos - 18062017 Clique na imagem para ampliar

Riscos

Os anfíbios ocupam diferentes posições na cadeia alimentar, desde consumidores de matéria orgânica até predadores. “Se começam a desaparecer do meio a uma velocidade tão rápida como está sendo evidenciado nos últimos estudos iríamos chegar ao ponto que toda a cadeia cairia”, afirma Alba. Ela destaca que todas as espécies são parte de um grande sistema. “Dentro do qual existe uma dependência grande entre elas. Se um grupo de organismos desaparece, o resto será afetado.” Os humanos têm uma temperatura corporal de aproximadamente 36 graus, o que impede o fungo de se desenvolver, portanto ele não é perigoso para a espécie.

Comércio da carne dificulta controle

Os anfíbios são contaminados pela chegada do fungo através da água ou pelo contato direto entre os indivíduos. Para evitar a contaminação, seriam necessárias algumas ações. A primeira é evitar a dispersão do fungo para outras regiões. “Mas o grande comércio de anfíbios para consumo, inclusive mundial, não está tornando isso fácil. Os controles alfandegários não estão conseguindo detectar o fungo nos anfíbios vivos que são transportados de um país para outro, principalmente porque as espécies mais comercializadas não apresentam sintomas”, fala a doutoranda Alba Navarro.

Uma das formas usadas para mitigação do fungo é o tratamento dos animais infectados. O Bd, segundo a pesquisadora, é suscetível a altas temperaturas, sal e uma ampla gama de antibióticos e fungicidas. Por outro lado, testes apontam que os anfíbios podem sofrer danos quando submetidos a antibióticos. Outra estratégia é a bioterapia. É adicionada uma cepa bacteriana ou um grupo delas ao habitat ou diretamente na pele do anfíbio, com o objetivo de diminuir sua suscetibilidade à doença. “São vários os estudos que tentam explicar como o fungo chega a causar a morte. 

Alguns trabalhos concluíram que a hiperplasia epidérmica (aumento do número de células epidérmicas) pode prejudicar seriamente o equilíbrio de eletrólitos e a troca gasosa do anfíbio”, comenta a doutoranda. Ela aponta que um outro estudo mostrou que o fungo produz micotoxinas, que são metabólitos (substâncias) secundários tóxicos produzidos por determinados fungos. “Que bloqueiam a resposta imune do anfíbio, inibindo a proliferação de linfócitos e podendo causar morte celular, causando assim aumento de infecções no anfíbio.”

 

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