Cidades

X
  • Terça-feira, 17 de Outubro
  • Onde quer que vá, vá com o coração!
Cidades

Matéria

Quinta-feira, 10.09.15 às 00:00

Ministério da Saúde adverte: fumar cigarro de palha é perigoso

Nany Fadil
Mara Sousa fumante_cigarro de palha
O costume é antigo, a tendência é nova: fumar cigarro de palha é moda entre fumantes inveterados e os jovens

Um costume antigo, mais do tempo dos avôs, está se disseminando entre jovens de Rio Preto. O cigarro de palha, ou palheiro como era chamado, ganha espaço entre dois públicos distintos: os que tentam parar com o cigarro industrializado e os que estão dando as primeiras pitadas no cigarrinho de palha.

Outra preocupação entre as autoridades da saúde é o uso de narguilé entre jovens. Os que nunca fumaram estão dando tragadas no cachimbo de água, tradicionalmente usado no Oriente Médio. Supostamente, por ter a fumaça filtrada na água, faria menos mal. Exatamente esse entendimento equivocado sobre o narguilé levou o Ministério da Saúde e o Instituto do Câncer (Inca) a alertar a população sobre os malefícios do consumo do produto.

Segundo o ministro da Saúde, Arthur Chioro, o tabaco é responsável por 90% dos casos de câncer no País. A proposta do ministério é levar até os jovens a informação que o produto é prejudicial e para que não se sintam seduzidos pela falsa impressão de que não faz mal.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde e a Pesquisa Especial de Tabagismo, entre os jovens homens fumantes (entre 18 e 24 anos), o percentual de usuários do narguilé mais que dobrou nos últimos cinco anos, passando de 2,3 em 2008 para 5,5 em 2013. A estimativa é que o produto seja usado por mais de 212 mil brasileiros.

Não há dados sobre Rio Preto, mas o levantamento tem caráter nacional. Assim, pode-se considerar proporcionalmente que 1% dos rio-pretenses usam narguilé.

Fenômeno

Outro comportamento que chama a atenção nas ruas da cidade é o de jovens com palheiros. Não é possível dimensionar o volume de pessoas que estão aderindo à nova onda. Mas é palpável quando se observa o movimento do comércio em torno do cigarro de palha.

Antes vendido em tabacarias, hoje é possível encontrar em postos de combustível e também em pequenos comércios e mercearias. Já vêm prontos e com mais de 30 marcas no mercado. Tem, inclusive, com sabor. Há os de cereja, chocolate, mentolado, cravo e canela, entre outros.

“Quando chega, acaba tudo na mesma hora”, diz a atendente de uma loja de conveniência. “Até o ano passado, representava menos de 10% em relação ao cigarro de papel. Hoje, vendemos 30% de cigarro de palha e 70% de papel”, diz o sócio-proprietário de uma tabacaria. “No último ano, houve aumento de até 50% nas vendas do cigarro de palha. Inverteu o público, antes eram os velhos, agora são os mais novos que compram”, diz o dono de outra tabacaria da cidade.

Segundo Valdir Cazetta, que vende o produto, os clientes dizem que o palheiro faz menos mal à saúde, então seria uma opção. “O cigarro de papel tem mais ou menos 4,7 mil substâncias prejudiciais à saúde. A palha é de milho e o fumo é natural, sem conservantes. Muita gente está passando do industrializado para o de palha para evitar as complicações”, acredita.

O estudante Roberto, 25 anos, optou pela mudança. Os entrevistados pediram para preservar a identidade por saber que o comportamento não é exemplar. Ele começou a fumar quando tinha 20 anos, e há dois decidiu passar para o cigarro de palha. Diz que sente que faz menos mal para ele. “Eu ficava o tempo todo cansado e sem apetite. Agora, com o de palha, não tenho problemas”, afirma.

Roberto faz academia e joga futebol sem sofrer falta de ar. Ele costuma fumar sete cigarros de palha por dia. “Não sou dependente, já fiquei 40 dias sem fumar. Sei que não é bom, mas é menos ruim do que o tradicional”, afirma. O estudante diz que na sua turma todo mundo aderiu ao cigarro de palha, e mesmo quem não fumava passou a dar uma pitadinha. “É meio moda, sim”.

 

arte_malestabaco Clique na imagem para ampliar

Tabaco

Já enroladinhos, com um minúsculo elástico compondo o produto, o cigarro de palha tem sua graça, mas causa danos à saúde. Além de outras substâncias nocivas, contém nicotina, o que pode levar ao vício. O charme do narguilé também vende uma imagem interessante aos jovens. “O problema está no tabaco que tem substâncias tóxicas. O cigarro de palha, por exemplo, tem cinco a sete vezes mais nicotina e alcatrão que os industrializados. É lesivo da mesma maneira”, diz o pneumologista do Hospital de Base Airton Sanomia.

Embora pareça inofensiva, uma sessão de narguilé, que dura em média 20 a 80 minutos, corresponde à fumaça de 100 cigarros. O coordenador de ensino do Inca, Felipe Ribeiro Neto, explica que a água não ameniza os efeitos do tabaco. Ele afirma que o narguilé possui os mesmos componentes nocivos do cigarro, seja da nicotina ou cancerígenos.

Segundo o pneumologista Sanomia, pelo fato de ser mais concentrado, as tragadas dadas no narguilé ou no cigarro de palha fazem com que o ex-fumante do cigarro industrializado se sinta satisfeito com uma quantidade menor de tabaco. “Fuma-se menos, mas não muda nada”, diz. Mesmo quem não traga, e só quer fazer uma graça, sofre os efeitos do fumo. “A fumaça vai ser absorvida na cavidade oral, e o risco é de ter câncer na boca”, diz.

É uma preocupação de Carlos, 27. Ele começou a mascar fumo com 15 anos. Dos 20 aos 23, fumava cigarro de palha, conseguiu deixar o palheiro, mas voltou a mascar o fumo. “Cheguei a fumar um maço de paulistinha (cigarro de palha feito à mão) por dia. Troquei um vício pelo outro e agora masco o fumo.”

Carlos se considera dependente. “É prazeroso, mas faz mal à saúde. Quando você masca, só muda o lugar do câncer. Penso em parar, mas não sei como.”

Para o pneumologista Sanomia, não há alternativa senão deixar o vício. “Estudos mostram que só 6% dos que tentam conseguem deixar o vício sozinhos. Com acompanhamento psicológico e farmacológico, a chance sobe para cerca de 50%. Os malefícios do tabaco são tamanhos que os dependentes precisam buscar ajuda”, conclui.

Atualmente, 130 pessoas estão em tratamento pelo SUS para deixar o cigarro. O Programa de Tratamento de Tabagismo foi implantado em Rio Preto em 2009. O acompanhamento é psicológico e medicamentoso. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, dos 1,3 mil pacientes atendidos desde a implantação do programa, pelo menos 42% conseguiram abandonar o vício do tabagismo e têm uma vida mais saudável.

Quem busca ajuda no programa, passa por diferentes etapas até começar o tratamento. É avaliado desde o grau de dependência química e, se necessário, são disponibilizados remédios para minimizar a “fissura” provocada pela falta do tabaco, gratuitamente. 

No começo, o paciente passa por sessões de terapia em grupo uma vez por semana. Nesse momento, ele poderá compartilhar com outros dependentes as principais dificuldades que enfrenta. É acompanhado ao longo de um ano. Terminado o tratamento, se acreditar que ainda precisa de ajuda, poderá continuar frequentando a unidade.

Comentários

Recomendadas

Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para recuperar sua senha no Diário da Região.

Já sou assinante

Para continuar lendo esta matéria,
faça seu login de acesso:

É assinante mas ainda não possui senha? Clique Aqui!

Assine o Diário da Região Digital

Para continuar lendo, faça uma assinatura do Diário da Região e tenha acesso completo ao conteúdo.

Assine agora

Pacote Digital por apenas R$ 15,90 por mês.
OUTROS PACOTES


ou ligue para os telefones: (17) 2139 2010 / 2139 2020

Cadastro Grátis
Diário da Região
Facilite seu acesso agregando uma
conta de rede social ao seu perfil
Sexo
Confirme seu cadastro

Para acessar nossos conteúdos especiais é necessario que você ative seu cadastro.

Acesse seu e-mail e clique no link que lhe enviamos. Caso não tenha recebebido, digite abaixo seu e-mail.