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Domingo, 18.06.17 às 00:00 / Atualizado em 17.06.17 às 19:22

Sol demais para sombra de menos

Marival Correa
Guilherme Baffi Área Verde de Rio Preto - 18062017
Rio Preto dispõe de 8 metros quadrados de área verde por habitante, mas a Organização Mundial de Saúde recomenda 12 metros quadrados por pessoa

Um sol pra cada um! A expressão propositalmente exagerada incorporou-se ao cotidiano do rio-pretense, habituado com temperaturas médias anuais acima dos 30 graus. Quanto à sombra, que muito ajudaria a amenizar essa sensação sufocante, não se pode dizer o mesmo. É, na verdade, sol de mais para sombra de menos. Rio Preto tem pouco mais de 270 mil árvores em frente a imóveis. O número sobe para 400 mil se considerada a arborização de canteiros centrais, praças, áreas verdes e áreas de preservação ambiental.

Esse montante equivale a 8 metros quadrados de área verde por habitante. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o ideal seriam 12 metros quadrados por habitante, ou seja, a cidade tem quatro metros quadrados a menos que o ideal por morador. A árvore é cheia de virtudes na zona urbana. Seu sombreamento diminui em até 5 graus a temperatura em uma avenida. Também serve como filtro de poluição, sujeira e barulho. Melhora a qualidade do ar e traz beleza a qualquer ambiente, além de ajudar a proteger os rios evitando o assoreamento.

A realidade, infelizmente, ainda é bem diferente, em que pesem as iniciativas tanto do poder público quanto de uma parte da população para tentar melhorar o índice de arborização urbana em Rio Preto. “Nosso índice de sombra é de 17,7%, ou seja, de toda a área urbana, apenas 17,7% é sombra de árvore”, diz Otton Garcia de Arruda, engenheiro agrônomo do Viveiro Municipal, mantido pela Prefeitura por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O apontamento de Otton mostra o quanto mais verde faria bem para o município, levanto em conta que em Rio Preto há 945,12 habitantes por quilômetro quadrado, segundo o IBGE.

O poder público vem trabalhando para tentar mudar o placar em favor do meio ambiente, dentro do perímetro urbano. O Viveiro Municipal doou, no ano passado, 16,7 mil mudas, das quais 5,6 mil foram para projetos de reflorestamento e o restante para a chamada doação direta, aquela que é feita ao morador que procura pelo serviço no quilômetro 61 da BR-153, no Jardim Soraia. Este ano, até o início de junho, já foram distribuídas 5,8 mil mudas, uma média de mil unidades entregues mensalmente. 

O Viveiro atende de 25 a 30 pessoas por dia e cada uma delas passa por uma pequena entrevista com objetivo de dar a destinação mais adequada às mudinhas. “O nosso foco é a arborização urbana. Então procuramos saber do tamanho do calçamento, se é largo ou não, se tem fiação elétrica correndo próximo ou não. Mediante as respostas cedemos as mudas mais apropriadas para aquele tipo de local, de porte pequeno, médio ou grande. Quando é para plantio em frente ao imóvel só não recomendamos, em nenhuma situação, árvores frutíferas porque podem causar acidentes. Para os demais casos não há muitas restrições desde que sejam seguidas as nossas orientações”, explica Otton.

A doação direta é aberta a qualquer morador, restrita à quantidade de duas mudas por mês. Basta ir até o Viveiro portando um comprovante de residência e documento pessoal. Ali ele é informado sobre a importância não só do plantio preferencialmente em frente ao imóvel e não em áreas públicas, para as quais ou já existem projetos específicos ou as mudas são impróprias, quanto à sua correta manutenção. O telefone, para mais informações, é o (17) 3225-9769. Funciona de segunda a quinta-feira das 8 às 17 horas e às sextas-feiras das 8 às 16 horas.

 

Arte - Plantando uma muda - 18062017 Clique na imagem para ampliar

Legislação amiga

Otton destaca uma mudança na legislação que tem ajudado a fazer a diferença em prol do verde. A lei municipal 11.361, sancionada em 2013, obriga o plantio de árvores para quem abre empresas em Rio Preto. Pela determinação, as mudas são retiradas gratuitamente no Viveiro Municipal e plantadas, obrigatoriamente, sob responsabilidade do proprietário ou contador da empresa.

A novidade é que a lei municipal 12.700, deste ano, permite ao empresário converter a doação diretamente para o Viveiro Municipal. E são os técnicos do Viveiro que decidem o melhor destino daquelas mudas, se para doação à população em seus atendimentos regulares ou para projetos de revitalização ou recuperação ambiental.

“Isso deu um ganho significativo para o Viveiro. Antes, muitas vezes, o empresário não tinha a área adequada para essa finalidade e isso criava uma série de dificuldades inclusive para nós, que não tínhamos como atender toda essa demanda. Só no ano passado, 2.235 representantes nos procuraram para cumprir o que determina a lei. Agora, com a possibilidade do empresário doar ao Viveiro, nós controlamos melhor o fluxo e direcionamos a produção conforme a necessidade”, explicou Otton.

Muda que a Cidade Muda

Uma iniciativa de moradores que teve início em novembro do ano passado tem ajudado o poder público a melhorar o índice de arborização urbana. O projeto “Muda que a Cidade Muda” tem como objetivo modificar a paisagem até então dominada pelo cinza do asfalto e pela dureza do concreto com o plantio de centenas de mudas de árvores e um trabalho de conscientização. São os próprios moradores que escolhem as ruas, cortam as calçadas, abrem buracos e plantam as mudas.

O projeto começou a tomar forma nas redes sociais, em discussão de grupo de amigos. O debate virou ação através da iniciativa das empresárias Fernanda Sansão e Valéria Cabreira, que passaram a organizar as pessoas interessadas. E os números mostram que essa corrente do bem em nome de uma Rio Preto mais verde tem começado a surtir resultados. Quarteirões próximos da avenida Bady Bassitt, onde antes não havia uma árvore sequer, hoje começam a ter o cenário modificado. Só na quadra da rua Paraná foram plantadas 45 mudas.

Ao todo, em diferentes pontos da cidade, notadamente da região central - a mais afetada pelas chamadas ilhas de calor, que formam-se exatamente onde o déficit de verde é maior - já foram plantadas 1,7 mil árvores. Em três anos, a expectativa é que sejam 7 mil. “A mudança depende de cada um. Essa ação é só o começo. A verdadeira mudança acontece agora quando as pessoas têm que se envolver, cuidar, regar, fazer crescer, conduzir, alimentar, para poder colher flores, frutos, sombras, ar puro e respeito pela convivência”, diz Fernanda em uma das ações do grupo.

Cuidados ajudam muda a desenvolver

Plantar uma árvore não é algo complicado, mas alguns cuidados ajudam a fazer com que a planta se desenvolva adequadamente. A área ao redor da muda, ou seja, o canteiro, ou área livre de impermeabilização, é importante para as raízes respirarem e retirarem água e nutrientes do solo. O canteiro ideal para um bom desenvolvimento de árvores situadas em vias públicas é de no mínimo 1 metro quadrado, podendo ser maior, preferencialmente gramado

A construção de mureta ao redor da planta inviabiliza a infiltração de boa parte das águas das chuvas para o reabastecimento do lençol freático. O melhor é evitá-la. Cada árvore necessita de seu espaço para desenvolver corretamente, isto em função da sua altura e projeção da copa. O formato e tamanho recomendados das covas de plantio são de covas cúbicas de 70 centímetros.

É importante que a muda tenha pelo menos 1,80 metro de altura e que seja a mais retilínea possível, sem brotações laterais ou bifurcações. Distância entre árvores varia conforme o tipo. Árvores de pequeno porte pedem intervalos de 4 metros entre elas. Para as de médio porte são recomendados intervalos de 6 metros e para as de grande porte, 8 metros. Na calçada, há algumas regras importantes. A árvore deve estar a 5 metros das esquinas, a 4 metros dos postes, a 1,5 metro da entrada da garagem, a 0,50 metro da sarjeta, a 1,5 metro de bocas-de-lobo e de guias rebaixadas (acesso de veículos e cadeirantes). 

Cidade adota agenda da ONU

Por mais qualidade de vida, Rio Preto torna-se signatária de agenda sustentável da ONU. Rio Preto é a primeira cidade do interior de São Paulo a tornar-se signatária dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que fazem parte da Agenda 2030 preconizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em áreas como meio ambiente, saneamento básico e mobilidade. A adesão foi assinada durante o Seminário de Mobilização pelos 17 ODS, realizado na sede do Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado (DAEE) de Rio Preto, neste mês de junho.

Ainda durante o evento, o prefeito Edinho Araújo criou por meio de decreto, a Comissão Municipal para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que terá entre as principais atribuições elaborar um plano de ação para implementar a agenda 2030 da ONU, na cidade. Isso significa dizer que nosso conceito de sustentabilidade sai do papel para virar boas práticas que envolvem poder público, empresas, organizações e comunidade em geral.

Também como presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica dos Rios Turvo e Grande, Edinho Araújo convidou os 66 prefeitos participantes do Comitê, a aderir aos 17 ODS. Os objetivos estabelecem metas para melhorar a qualidade de vida entre as pessoas e entre as nações. Edinho reconheceu que o desafio é grande e vai requerer organização, estratégia, monitoramento e articulação de todas as secretarias do município e de todos os setores da sociedade.

Grupo de trabalho

Em outra medida em favor do verde, também neste mês de junho o Grupo de Trabalho de Educação Ambiental (GTEA), que vai elaborar o Plano de Educação Ambiental de Rio Preto. A coordenadora do grupo é a gerente de ensino fundamental Marcela Lopes de Santana. “O grupo vai pensar e trabalhar as questões ambientais de forma integrada, em todos os segmentos do município”, enfatizou o prefeito Edinho.

Para a secretária municipal de Meio Ambiente, Kátia Penteado Casemiro, sem educação não há mudança. “Rio Preto está se transformando graças à união da comunidade e poder público. Não temos nenhuma dúvida que sustentabilidade é a palavra-chave para preservar o planeta e melhorar a nossa vida”, declarou.

 

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