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Sábado, 12.08.17 às 00:00

Cirurgia com cérebro ‘ligado’ testa a fala de paciente em tempo real

Millena Grigoleti
Mara Sousa 11/8/2017 CIRURGIA_HB_7154_WEB
Filomena já de malas prontas: ela teve alta nesta sexta-feira, 11, e voltou para casa, em Cedral

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Mara Sousa 11/8/2017 CIRURGIA_HB_7154_WEB
Filomena já de malas prontas: ela teve alta nesta sexta-feira, 11, e voltou para casa, em Cedral

Maria Filomena da Costa passou sete horas e meia em uma mesa de cirurgia para remover um tumor cerebral que afetava a área da fala. Sua cirurgia foi rara porque ela não chegou a ficar inconsciente e até cantou durante a operação, no Hospital de Base. Por causa do local crítico onde a massa estava, era preciso verificar a todo momento se nenhuma função estava sendo comprometida pela ressecção tumoral. Nesta sexta-feira, 11, ela teve alta e voltou para casa, em Cedral. Esta foi a primeira cirurgia do tipo realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Rio Preto.

A auxiliar de limpeza de 45 anos começou a desconfiar que algo estava errado quando passou a ter fortes dores de cabeça e tontura. A massa diagnosticada era benigna, mas fazia Filomena ter convulsões e poderia evoluir para um câncer.

Segundo Carlos Rocha, neurologista responsável pela operação, o tumor estava na área da fala e da nomeação visual (capacidade de associar nome ao objeto), e a paciente podia perder a capacidade de se comunicar oralmente. Além disso, como o cérebro possui conexões, ela poderia perder a capacidade de nomear objetos, ler e reconhecer cores e formas.

O médico diz que todo o tumor foi removido. É preciso ainda de um exame da patologia sobre o grau dele. Como testes já indicaram que era de grau baixo, Filomena não deverá passar por rádio ou quimioterapia, mas o acompanhamento por meio de exames de imagem terá que ser constante.

Antes e depois da cirurgia foram feitos testes. A equipe mostrou figuras e frases e pediu que Filomena dissesse quais eram os objetos, suas formas e cores e lesse os textos. Quando houve algum tipo de dificuldade, os médicos souberam que era hora de recuar e tentar a abordagem por outro ângulo. A estimulação das áreas do cérebro antes da ressecção do tumor é feita com uma espécie de caneta que o médico utiliza para verificar se a função será comprometida ao mexer no local.

A operação começou às 12h30 da segunda-feira, 7, e terminou às 20h. Sem esse tipo de recurso, a equipe médica consegue ter uma noção do que está atingindo no cérebro, mas não pode precisar.

cirurgia_arte Clique na imagem para ampliar

A anestesista Paula Fialho Salgado explica que para uma cirurgia desse tipo é necessário verificar se a pessoa é paciente para ficar horas em uma mesma posição. As medicações utilizadas fazem com que a pessoa fique tranquila, sonolenta ou como se estivesse tirando um cochilo, mas acorda se for chamada.

Também é feita uma anestesia local, pois é preciso chegar ao cérebro. “Depois que o cirurgião começa a trabalhar ele mesmo faz algumas anestesias no ponto necessário. O cérebro não dói, o que dói é chegar até lá”, fala.

As doses de medicamentos são calculadas de acordo com o peso da paciente e o tempo da cirurgia. Assim como em outras cirurgias, todo o quadro é monitorado, como coração, pulmões e saturação.

Gratidão eterna

A gratidão de Filomena à equipe médica, segundo ela, será eterna. A paciente escreveu um poema que entregou aos profissionais. Filomena chegou a cantar durante a cirurgia. Católica, com versos como “junto a ti eu só tenho alegria / muita força para lutar e vencer” ela agradece a Deus. Seu sonho agora é ver a letra que ela mesma compôs ser gravada.

2017-08-07-PHOTO-00000006_WEB Membro da equipe mostra figuras para a paciente durante cirurgia que durou sete horas e meia

Mãe de um filho de 11 anos que precisa de cuidados pois nasceu prematuro de 34 semanas e teve paralisia cerebral, Filomena começou a escrever em 2016, pouco antes de entrar na casa que conseguiu com muito trabalho. Ainda um pouco confusa por causa da cirurgia, de duas coisas não esquece: de Gabriel e da data em que entrou no imóvel, em 2 de julho do ano passado. “Espero que ele tenha tudo que não tive”, afirma.

O médico Carlos Rocha explica que a leve confusão apresentada por Filomena se deve à cirurgia, mas ressalta que logo isso deve passar e a paciente não deverá ter nenhuma sequela.

A auxiliar de limpeza também criou, desde os nove meses, o sobrinho Douglas, de 32 anos, depois que a mãe do menino ficou doente. Agora quem cuida de Filomena é a esposa dele, Silmara Regina de Campos da Costa, 28 anos. “Deus está mais uma vez mostrando que ela é guerreira”, diz a sobrinha.

Assista ao vídeo gravado durante a cirurgia:

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