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Quinta-feira, 10.11.16 às 00:00 / Atualizado em 10.11.16 às 00:27

Mediocridade sistêmica

Neuseli Marino Lamari
Neuseli Lamari - 28092016

As gravatas são radiantes, os jalecos brancos deixam homogêneo o andar convencido de sabedoria Google; tempos sem enciclopédia e de protocolos rampeiros, nas rampas da mobilidade escorregadia do caráter de uma minoria com poder de decisão.

Os dias andam amargos, apesar de eventos para empolgar nossa identidade. Somos uma nação que perdeu a noção, tomados pelas piores práticas e distantes do que reconhecíamos como decente no mundo docente.

Tudo “está dominado” e o crime organizado não se esconde. Agora luta corpo a corpo pelos seus representantes, deixando trajetórias pisoteadas e negadas pelos urubus do oportunismo, pelos fariseus da objetividade imediata. O verbo que condiciona nosso tempo é vomitar.

As obviedades tomaram o lugar que se condiciona ao “mais fácil”, mastigado e ruminado para os rasteiros de plantão. Assim, o Brasil vai se escorregando pelo rio São Francisco, no estupefato olhar para tanta imensidão.

Vivemos cotidianos de sobrevivência, aceitando tudo. A canalhice em todo seu esplendor para “o impávido colosso”, e pessoas se segurando nos cargos dançando como marionetes ventríloquas. E os atuais gestores-feitores mostram-se chefes, que se fortalecem no comando das estruturas derruídas e famintas.

Oportuno lembrar Ortega e Gasset, que nos diz que “tudo é circunstância” e nos apresenta o homem que passou a dominar o mundo a partir do início do século XX, o homem-massa, que está entre intelectuais, mais ricos ou mais pobres, na elite econômica, etc. O rei está só e absoluto comandando os medrosos que caem de joelho e se escondem sem dar a cara e, na festa dos jalecos a traição branca está garantida no silêncio dos que se fingem de inocentes, e a covardia dos “não é comigo” se expande em progressão infinita.

Dias grises na contra mão do que aspiramos. Estamos cafonas na ONU, em Brasília, nas nossas instituições, na explicita construção do caráter rasteiro, num templo lotado de vulgaridade servil. Agora nosso tempo é de impostores que conhecem o “ctrl c”e o “ctrl v” e brilham com o trabalho que nunca fizeram.

O Brasil está se desmoronando, com os que pactuam em fazer de nosso país um projeto “cronicamente inviável”. Os nefastos se camuflam no servilismo irresponsável, desmontam a consistência que nunca tiveram, que lhes dói e não suportam, proporcionando coesão consistente à mediocridade orgânica, que se impõe triunfalista.

Não se trata de perder nossas parcas ilusões, mas reconhecer novos tempos, onde às asquerosas práticas há cúmplices dispostos a assumir tarefa de se impor com novas ferramentas; pelas falcatruas nauseantes e asquerosas dos que topam tudo para derrotar a excelência.

Precisamos enfrentar os simulacros, o faz de conta, e entender que temos que derrotar o mau caráter que aniquila o futuro. Derrotar a incompetência na educação pública que sonega o conhecimento necessário, cerceando os mais desprovidos a um fracasso antecipado nos projetos de vida. Portanto, não nos enganemos, quando toleramos o pacto da mediocridade sistêmica, o que matamos é a construção de um país que merece um destino diferente.

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