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18/01/2020 - 00h30min

Governo Bolsonaro

Vídeo com 'tom' nazista derruba secretário

Auxiliar aparece nas redes sociais citando trecho de discurso de Goebbels

Reprodução Roberto Alvim cita trecho de discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista
Roberto Alvim cita trecho de discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista

Sob pressão de chefes dos Poderes, da comunidade judaica e de seus eleitores, o presidente Jair Bolsonaro demitiu nesta sexta-feira, 17, o secretário especial da Cultura, Roberto Alvim, depois que ele apareceu em um vídeo, nas redes sociais, citando trecho de um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista. Bolsonaro não queria dispensar Alvim, mas a situação dele ficou "insustentável" diante da mais forte reação a um pronunciamento ideológico desde o início do governo. O repúdio ao regime nazista de Adolf Hitler uniu Legislativo, Judiciário, federações israelitas, evangélicos e até embaixadas, ultrapassando a polarização entre direita e esquerda.

Na tentativa de sair rapidamente da crise, o presidente convidou a atriz Regina Duarte para assumir a Secretaria da Cultura. Ela prometeu dar a resposta até segunda-feira. A atriz apoiou Bolsonaro na campanha e no ano passado já havia sido chamada para o cargo, mas recusou. Agora, disse que está "pensando" sobre o assunto. "Estou com este convite e me assusta muito. (...) Tem um ministério complicado aí", afirmou ela. O governo quer um nome de peso para substituir Alvim.

Logo cedo, os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ); do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, cobraram publicamente a demissão de Alvim, que assumiu o cargo em novembro. Bolsonaro também recebeu vários telefonemas de aliados pedindo a saída do secretário, sob o argumento de que o governo não poderia admitir elogios ao nazismo, responsável pela perseguição e assassinato de milhões de judeus. O Estado apurou que duas ligações foram decisivas para a decisão do presidente: a de Alcolumbre, que é judeu, e o do embaixador de Israel no Brasil, Yossi Shelley.

Para Alcolumbre, o discurso de Alvim foi "acintoso, descabido e infeliz" em todos os aspectos. "Como primeiro presidente judeu do Congresso Nacional, manifesto veementemente meu total repúdio a essa atitude e peço seu afastamento imediato do cargo", escreveu ele, em nota. Maia, por sua vez, disse no Twitter que o secretário da Cultura havia passado "de todos os limites" e Toffoli considerou a citação ao nazismo como "uma ofensa ao povo brasileiro e à comunidade judaica". Horas depois, a exoneração de Alvim foi publicada em edição extra do Diario Oficial da União (DOU).

Em Rio Preto

A história do agora ex-secretário Roberto Alvim inclui uma passagem por Rio Preto, em 2010. Naquele ano, ele foi um dos curadores do Festival Internacional de Teatro, o FIT, organizado pela Prefeitura e que é um dos principais eventos culturais da cidade.

Saiba quem foi Goebbels

Joseph Goebbels entrou para o Partido Nacional-Socialista de Adolf Hitler em 1924 e, nove anos depois, ascendeu a ministro da Propaganda de Hitler, quando este se tornou chanceler alemão. Sua escalada foi meteórica e de importância fundamental para convencer o povo alemão sobre o Nazismo, utilizando todos os meios de comunicação e aparelhos culturais possíveis. Teatro, cinema, rádio, TV, livros, quadros e músicas eram vistoriados por Goebbels, enquanto ele também liderava a criação de cartazes, campanhas e manifestações de apoio ao Führer.

Goebbels foi um dos principais responsáveis por disfarçar o antissemitismo e o ódio aos judeus pregado pelo Nazismo. Foi ele quem comandou a primeira queima de livros, no início da década de 1930, sob o pretexto de dar fim à "era do intelectualismo judaico extremo". A frase de Goebbels que Alvim usou, com alterações, como trocar "alemã" por "brasileira" é a seguinte: "A arte alemã da próxima década será heróica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada".

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