Diário da Região

11/10/2017 - 12h12min

Sexualidade

Casamento: mulheres perdem mais interesse por sexo

Estudo britânico indica que elas têm mais probabilidade de perder o desejo após o casamento

Talvez não seja nenhuma novidade que a dimuição do interesse no sexo é um problema comum entre os casais, principalmente nos relacionamento de muito tempo. Um estudo britânico recente da Universidade de Southampton e University College London,  que acaba de ser publicado no periódico científico BMJ Open mostrou que,  apesar de tanto homens quanto mulheres perderem o desejo sexual, neste caso, as mulheres  são mais afetadas por relacionamentos mais longos.

No total, 15% dos homens e 34% das mulheres entrevistados disseram ter perdido o interesse no sexo por três meses ou mais no ano anterior. As conclusões foram baseadas na experiência de quase 5 mil homens e 6,7 mil mulheres. Para Cynthia Graham, professora de saúde sexual e reprodutiva da Universidade de Southampton, e uma das autoras da pesquisa, as descobertas aumentaram o entendimento do que está por trás da falta de interesse no sexo e como tratá-la.

Falta de proximidade emocional

O estudo mostrou que, de maneira geral, problemas de saúde e a falta de uma proximidade emocional afetam o desejo sexual de homens e mulheres. Para os homens, a falta de interesse era maior entre as idades de 35 a 44 anos, enquanto para as mulheres o ápice era entre os 55 e os 64 anos. Para os pesquisadores britânicos envolvidos na pesquisa, a falta de desejo sexual deveria ser tratada levando em consideração a pessoa como um todo em vez de simplesmente usar medicamentos. Segundo os pesquisadores envolvidos na pesquisa, não há evidências de que a menopausa seja um fator para as mulheres.

Os pesquisadores descobriram  também que ter filhos pequenos em casa era especialmente desestimulante para as mulheres entrevistadas. Problemas de saúde física e mental, falhas de comunicação e uma falta de conexão emocional durante o sexo eram as principais razões para homens e mulheres perderem o interesse.

"As mulheres enfrentam os fatores psicológicos que influenciam muito no desejo sexual. A Organização Mundial da Saúde pontua que elas sofrem mais com depressão e ansiedade, o que pode impactar no desejo e na resposta delas ao sexo. Além disso, a educação recebida com os significados apreendidos sobre sexo e sexualidade, fatores religiosos e a experiência de relacionamentos anteriores podem também afetar sobremaneira a disposição das mulheres para atividades relacionadas ao sexo”, destaca Denise Miranda de Figueiredo, psicóloga, terapeuta de casais e cofundadora do Instituto do Casal.

"Existem vários fatores não hormonais que interferem na vida sexual da mulher, como socioeconômicos, familiares e psicológicos.  Pra gente entender melhor, a mulher não consegue separar os problemas diários. Se ela tem um problema no trabalho, ela não consegue esquecer isso quando chega em casa no convívio familiar. Ou, se o filho está doente, por exemplo, ela não vai deixa-lo de lado para priorizar o sexo, a relação com o parceiro", explica a ginecologista Clícia Quadros, especialista em saúde da mulher.  São várias  as situações que interferem e estão interligadas com a libido feminino, e isso pode gerar uma alteração de humor ou, até mesmo, um quadro depressivo que, diretamente, vai diminuir a vontade de se relacionar com o parceiro. "E também quando se tem um problema crônico de saúde ou faz uso de alguma medicação que pode interferir na questão sexual. Então, se ela não está bem por um motivo, todo o restante também não vai funcionar bem", complementa.

Falar sobre sexo é importante

Na Pesquisa Nacional de Atitudes e Estilos de Vida Sexuais na Grã-Bretanha, os participantes que achavam "sempre fácil falar sobre sexo" com seu parceiro tinham menos probabilidade de dizer que perderam o interesse.  Entretanto, aqueles cujo parceiro tinha dificuldades sexuais ou os que estavam menos felizes em suas relações, tinham maior probabilidade de dizer que haviam perdido o interesse no sexo em algum ponto da relação. O estudo descobriu ainda que entre as mulheres "não compartilhar o mesmo nível de interesse sexual que o parceiro e não ter as mesmas preferências sexuais" também era um fator para a perda de interesse no sexo. "Esses resultados reforçam a necessidade de lidar e - se necessário - tratar problemas de desejo sexual de uma maneira holística e específica em termos de relacionamento e gênero", sugere Cynthia Graham. E o problema vai mais além do que uma pílula: "É importante olhar além dos antidepressivos", diz no estudo. E complemente: "Sexo é algo muito importante e falar sobre isso pode ser constrangedor. Mas conversar muitas vezes é a melhor coisa que você pode fazer para melhorar a sua vida sexual."

Realidade brasileira

O estudo a nível nacional mais recente feito no Brasil indicou que há uma diferença entre homens e mulheres em relação à frequência ideal de relações sexuais por semana. A pesquisa Mosaico 2.0, feita pelo Instituto de Psiquiatria (IPq) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), concluiu que o número ideal de relações por semana para as mulheres seria três vezes, enquanto para os homens seriam oito. Por outro lado, sexo foi considerado essencial para ambos os gêneros - 95,3% dos entrevistados afirmaram que o sexo é importante ou muito importante para a harmonia de um casal. Desses 95,3%, 96,2% eram homens e 94,5%, mulheres. A pesquisa ouviu 3 mil participantes com idade entre 18 e 70 anos.

Outra pesquisa, “Como anda a sua satisfação conjugal”, coordenada pelas psicólogas Denise Miranda de Figueiredo e Marina Simas de Lima do Instituto do Casal, procurou identificar o que os casais brasileiros pensam sobre sexo, intimidade, resolução de conflito. “Embora algumas pessoas relataram melhorias na vida sexual pós casamento ou união estável, a maioria do entrevistados afirmou que o sexo piorou depois da união, sendo a rotina, os filhos e a queda na frequência das relações os principais fatores para a piora da qualidade da vida sexual”, afirma a psicóloga Denise Miranda de Figueiredo.

A culpa é dos hormônios

A psicóloga Mônica Valêncio, especialista em terapia sexual diz ser complicado afirmar que esse desinteresse não tem ligação com a queda dos níveis hormonais com base em apenas um estudo, sendo que há muitos outros, afirmando que a menopausa influencia no quesito libido. "O desejo sexual feminino é complexo, dentro da família, não se fala muito sobre educação sexual, pois há uma falta de habilidade dos próprios pais e também pelo desconforto entre eles e os filhos no assunto", explica. Segundo ela, a diminuição do desejo sexual é uma situação comum entre a população feminina, o que não a impede de ter sexo."    Os problemas sexuais tem causas orgânicas e psicológicas, sendo orgânica, tratada por um médico. As psicológicas poderão ser ligadas ao relacionamento do casal, família, hábitos que atrapalham a vida sexual, falta de conhecimento do próprio corpo, iniciação sexual, situações que produzam tristeza, raiva, depressão, abuso, repressão sexual, ansiedade e nervosismo, poderão influenciar negativamente e facilitará a existência de problemas sexuais.

 Marina Simas de Lima, psicóloga, especialista em sexualidade e em terapia de casais garante que o desejo sexual feminino é complexo e demanda sintonia total entre corpo e mente. “O organismo feminino é influenciado a vida toda pelos hormônios sexuais, que oscilam de acordo com a fase da vida. No período reprodutivo da mulher há fases em que o desejo estará mais ativo, principalmente no período de ovulação, que geralmente ocorre14 dias antes da menstruação. Depois do parto, o desejo diminui até que os hormônios voltem ao normal. Na menopausa, a queda do desejo sexual é inevitável, já que há diminuição acentuada na produção de estrogênio e testosterona, os principais hormônios relacionados à libido”, explica Marina.

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